sexta-feira, 27 de abril de 2012

"Amorte"

Tem uma coisa que eu nunca vou entender: como que duas pessoas que se gostam simplesmente não conseguem ficar juntas? Eu pensava que isso só acontecia em novelas, na verdade foi o que sempre me irritou mais termos de romances, as mil dificuldades dos protagonistas de assentarem as coisas e se aproveitarem enquanto casal, ou seja, ficarem juntos.

Entretanto, foi só vivendo a situação que eu percebi que realmente existe isso na vida real. Não sei se é um ponto positivo para as ficções, ou um ponto ridiculamente negativo para nós que vivemos o dia a dia desse mundo real e impiedoso. 

É simplesmente ridículo duas pessoas adultas não terem a capacidade de acertarem os pontos entre si, especialmente se gostam uma da outra, e tudo indica que sim. Não faz sentido não poderem ficar juntos, não faz sentido que qualquer barreira que não seja de natureza intransponível (impossibilidade financeira, distância exacerbada, traição ou coisa que o valha) se torne maior do que a vontade de estar junto de quem se ama, mais aversiva do que a iminência do colapso da relação. Tamanha é a aversão que o relacionamento chegue ao final, e pior, as duas pessoas fiquem mal com isso, e pasmem, a pessoa que se sentia incomodada com o compromisso tome atitudes contraditórias e também não consiga ficar bem. Mal com, pior sem.

Alguma coisa está errada, eu diria muito errada. 

Rejeição é algo com que temos que lidar diariamente, a castração faz parte do processo de formação de caráter e da educação do cidadão para si, aquele que vive em sociedade e se reinventa a cada dia. Mas não é o caso.

E esse tipo de coisa eu não sei se um dia vou conseguir engolir.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Retomando

Retomando o blog depois de muito, mas muito tempo. E é engraçado como o último post parece distante, tão distante, mas ao mesmo tempo com alguns elementos ainda tão presentes.

Minha vida está boa, não posso reclamar de muitas coisas, mas tem alguma coisa que anda fora do trilho. E eu não to conseguindo colocar de volta no lugar, está faltando equilíbrio, e por mais força que eu faça não to conseguindo equilibrar os dois lados da moeda.

A já tão explorada vida dupla, os dois mundos que se opõem e contradizem, ao mesmo tempo que sintetizam-se nessa ciranda dialética da minha vida, estão balançando com força pros dois lados, e não parece que algum deles está disposto a pegar leve. O que é engraçado porque são dois potencializadores, quando um está bem o que deveria acontecer é aumentar o grau de satisfação com que ocorrem as coisas no outro. Mas é impressionante como parece que alterno em ciclos regulares que vão dos fins de semana aos dias da semana sem saber o que vai acontecer comigo.

Eu vou continuar lutando pelas duas causas, porque são importantes e porque eu gosto demais de cada uma. Até quando eu tiver forças e puder fazer diferença. Eu espero do fundo do coração que essa diferença permaneça por um bom tempo existindo.

sábado, 21 de maio de 2011

E agora?

O que tá acontecendo? O que explica essa sensação de impotência, que aparece em alguns momentos e simplesmente não dá pra fugir, não adianta fazer de conta que é passageiro, que é circunstancial.

Como no convívio social, em que as vezes parece tão necessária a constatação de que faço alguma diferença que um chá de sumiço parece uma boa alternativa para perguntarem por vc. Já disse aqui uma vez, não falte para não perceberem que você não faz falta, e também já descobri que não é bem assim, mas porque isso aparece repetidamente? Tem momentos que está tudo bem e isso desaparece, mas é sempre uma sombra.

Por que parece uma coisa tão distante simplesmente almejar uma pessoa, pessoa essa que nem pareceu tão distante das expectativas, na narrativa que você repetiu pros seus amigos em busca de uma opinião, já que vc pra variar não sabe o q fazer, e a maioria te disse que a coisa é bem possível. Mas você continua enxergando tão distante.

Outro dia, em momento com amigos, em uma situação uma amiga comentou sobre outro: "É, parece que ele aprendeu a abrir a porta, aprendeu a ser homem."

E porque eu não consigo?

domingo, 17 de abril de 2011

Ainda sobre a Questão do Controle

"O fato de o reforço positivo não produzir contracontrole não passou despercebido dos supostos controladores, os quais simplesmente mudaram para os meios positivos. Eis um exemplo: um governo tem de levantar fundos. Se o fizer por meio de taxação, seus cidadãos deverão pagar ou ser punidos, e eles poderão escapar deste controle adversativo colocando outro partido no poder nas eleições vindouras. Como uma alternativa, o governo organiza uma loteria e, em ver de ser obrigado a pagar taxas, o cidadão voluntariamente compra bilhetes. O resultado é o mesmo: os cidadãos dão dinheiro ao governo, mas sentem-se livres e, neste segundo caso, não protestam. Não obstante, estão sendo controlados, tão poderosamente quanto o seriam por uma ameaça de punição, por aquele esquema de reforço particularmente poderoso (de razão varíavel), cujo efeito é claramente demonstrado no comportamento do jogador compulsivo ou patológico." (Skinner; Sobre o Behaviorismo; pp. 170; Cultrix, 2006)


E aí entra mais lenha na fogueira na questão da liberdade. O que Skinner quer dizer é que sendo aversivamente controlado somos propensos a contracontrolar e temos assim a impressão de sermos livres e escolher algo, especialmente escolher algo diferente daquilo que nos é imposto, ou seja, mudar as contingências em vigor e causando uma impressão de auto determinação. Contudo, a meu ver, essa citação bem como todo o capítulo 12 deste livro clarificam essa ilusão, chamando atenção justamente para a diversificação das características do controle, que sempre existirá, variando em termos de modelo, esquemas de reforçamento, aversivo ou reforçador, dependendo daquilo que seja mais reforçador para o controlador enquanto manejador de contingências sociais, podemos falar do governo, da escola, da família, podemos falar disso como sendo essencialmente o que chamam de luta de classes.

Esse é um dos problemas com a Análise do Comportamento, ninguém gosta de ouvir que é determinado em maior ou menor escala pelo ambiente (determinismo probabilístico), pelos três níveis de seleção (biológico, individual e cultural), mas essencialmente pelos níveis biológico e cultural. A noção de liberdade limita-se a um conceito que exprime o maior conhecimento possível das contingências controladores e remanejo das mesmas de modo que aquilo que lhe é mais reforçador (determinado também por sua história pregressa) seja mais facilmente alcançado. Esse é, aliás, um dos maiores, senão o objetivo final de uma terapia, seja qual for a corrente teórica: autoconhecimento e autocontrole.

sábado, 19 de março de 2011

Embora esse discurso seja meio batido já, marxista, histórico-cultural e etc, eu nunca havia pensado NESSA hipótese em si, achei divertida essa citação:

Leontiev (1978) enfatiza ainda que o processo educativo “deve sempre ocorrer”, pois, do contrário, a transmissão da herança cultural produzida e acumulada pelas gerações precedentes se tornaria impossível, o que inviabilizaria a continuidade do processo histórico e, consequentemente, a evolução da humanidade. Para exemplificar isso, o autor faz a seguinte suposição: se o planeta em que vivemos fosse vítima de uma catástrofe, em que somente as crianças pequenas sobrevivessem, embora não se tivesse como resultado o fim do gênero humano, a história seria inevitavelmente interrompida. Assim, Os tesouros da cultura continuariam a existir fisicamente, mas não existiria ninguém capaz de revelar às novas gerações o seu uso. As máquinas deixariam de funcionar, os livros ficariam sem leitores, as obras de arte perderiam sua função estética. A história da humanidade teria de recomeçar (LEONTIEV, 1978, p. 272).


Nem precisa fazer muita força pra entender que o grande problema é a educação, mas não a educação em si, e sim como se daria essa educação, a mediação entre o conhecimento historicamente acumulado e a apropriação do mesmo pelos sujeitos. O que seria do mundo com milhares de livros, filmes, músicas e etc. mas com uma população que não tem como aprender a ler sozinha?




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Férias

Era uma manhã gostosa e quente de domingo na Lapa quando dirigia-me ao local que permitiria ir de volta para minha casa, o ponto de ônibus. Naquele trajeto entre Coriolano e Barão de Jundiaí/N. Sra. Lapa, em meio ao sono de uma noite praticamente não dormida e ainda frescas nas memórias as bobagens ditas e feitas entre amigos, percebi que o mundo ainda tem momentos que valem o registro.

Estava eu já quase chegando ao ponto para tomar minha condução quando percebi um simpático casal de idosos, como dizer ao certo? Nem tão idosos assim, tá, um casal de velhinhos muito maloquêro, típicos sr. e sra. Oliveira/Lopes/Silva/Rodrigues/Gomes, enfim, tão comuns em nossa cidade que já nem notamos mais na pressa de chegar logo, de não perder o horário. O que faria um jovem transeunte em pleno passeio às 10h da manhã (e espera-se que qualquer hora do dia)? Simples, me recolho e abro passagem aos dois, mas eis que o inesperado se faz presente, de forma tão divertida quanto imprudente, excepcionalmente na nossa perigosa São Paulo em que quando alguém fala com um desconhecido na rua todo mundo já fica meio desconfiado, não foi assim que você foi criado? "Não fale com estranhos!", "Não aceite nada de ninguém que não conhece!". Ao me recolher para que passem, a senhora passa normalmente e o senhor fica parado à minha frente.

Eu não entendi, em um milésimo de segundo tive tempo para me assustar e para me confundir com a situação, até me mover para o lado e então o homem se postou novamente à minha frente, como quem impede minha passagem. Em outro milésimo de segundo ele deve ter percebido meu embaraço, deu uma risada divertida, um tapinha nas minhas costas daqueles de avô fanfarrão enquanto sua senhora ria da situação, virou-se e foi embora.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Here's the thing

E não vou falar de psicologia, muito menos de qualquer coisa que algum leitor desavisado tenha alguma dificuldade de entender, especialmente por vocabulários ou temas restritos.

Vou é falar da minha vida e como ela anda. E o legal é que ela anda muito bem, resolvi fazer algumas coisas diferentes dela nessa altura do campeonato, com o fim das férias chegando e eu cansado de reclamar do clichê tédio de férias.

Pois então, a mais importante dessas coisas foi resolver que é hora de abrir o leque de opções por aqui, não sei até quando vão durar as amizades que se conquistaram no interior e a única certeza que tenho quanto a esse assunto é que será difícil mantê-las com grande proximidade, por questões geográficas óbvias. Tampouco sei onde vou estar após o fim do curso e isso é fonte de angústias também. Alia-se a essas questões o fato de que é preciso encarar a perspectiva de poucos amigos aqui em SP, sobraram aqueles poucos do colégio, e sempre foram poucos, agora são ainda menos, um descambou pra cá, outra descambou pra lá, a bem da verdade é que de cinco restaram três com quem realmente dá pra contar.

A solução pra isso veio de maneira até que meio inesperada, pois eu precisava era apenas resgatar outras fontes de amizade, especialmente daquele que nunca me falhou em trazer oportunidades de vida, o bom e velho MJ. Tem uma boa galera que eu conheço há anos, outros que estou começando a conhecer, outros que estou revendo e me reaproximando, os quais descobri que posso também contar como uma opção de vida, como uma escolha válida, como gente em quem confiar e contar. E eu quero é reforçar isso, é saber que existem mais coisas por aí do que eu sempre acostumei a ver, mais amigos do que eu sempre me acostumei a ter, e as coisas vão melhorando, se abrindo, ao ponto de vc sair uma noite, com alguns amigos, voltar de manhã, quase não dormir e receber em casa outros amigos na mesma tarde, porque simplesmente vc não quer abrir mão de nenhuma dessas oportunidades pelas quais vc tanto reclamou quando se queixava de tédio.

Além de abrir o leque de amigos e mantê-los, lutar por isso, vale a pena também se mexer um pouco, não ficar preso ao comodismo que o sofá e a internet lhe proporcionam. Pegue um ônibus, dois, três, use o trem, o metrô, os pés principalmente. Sabe o que é gostoso? Experimente andar pelas ruas de um bairro que vc passou a vida inteira de carro mas nunca andou a pé, pegou ônibus, teve que perguntar como chega na rua x ou onde sai o ônibus pro lugar x. Você comeu sua vida toda naquela pastelaria que vc sabe que tem o melhor pastel de carne do mundo, mas vc já foi pra lá a pé? "Ah, vc tem que dirigir, tem que pegar prática, e mimimi" ah to nem aí pro carro, se precisar dele eu uso, se eu tiver vontade eu o pego, ainda bem que o tenho se preciso, mas ao mesmo tempo que ele facilita por um lado, restringe o descobrimento por outro, ao descobrir um caldo de cana fmz na esquina da rua tal ou uma loja de porcarias baratas daquela que toda criança adora bem em frente ao ponto do ônibus que te deixa na porta de casa?


E as férias tão entrando na reta final, embora ainda faltem 20 dias, e eu acho que muita coisa vai rolar, as vezes vai batendo aquela vontade de que acabe logo, pra recomeçar o curso, e ao mesmo tempo bate aquela pena por estar acabando esse tempo que acabou se tornando tão gostoso, tão diferente, foram férias diferentes, me trouxeram crescimento, coisas boas.

Resta saber aproveitar esses 20 dias, espero conseguir.